Quinta, 26 Abril 2018 10:50

Palestra sobre Coaching Intercultural na ABRH

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No dia 23/04/18, foi realizada a palestra sobre Coaching Intercultural na ABRH, para associados e alguns membros da ICF.

Alexandra Barosa Pereira é coach credenciada pela ICF de Portugal e esteve no Brasil para participar do I Simpósio de Estudos Transculturais e Organizacionais, realizado na Universidade Mackenzie, nos dias 19 e 20 de abril. Aproveitando a oportunidade, nós da M'Canizares propusemos à ABRH a realização da palestra sobre Coaching Intercultural com Alexandra Barosa Pereira. 

Alguns pontos altos da palestra de Alexandra:

Há vários aspectos culturais presentes em uma sessão de coaching. O cliente traz elementos de sua cultura, que pode ser a cultura de um país, cultura familiar, ou da organização à qual pertence. A cultura se revela por artefatos visíveis, como a forma com que nos cumprimentamos ou vestimos, mas também contem elementos intangíveis e de mais difícil interpretação, como valores e crenças. A presença da interculturalidade no coaching convida o coach a identificar aspectos da cultura que estão presentes no processo. 

Existem alguns perigos que enfrentamos ao lidar com diversidade cultural. Somos sujeitos a estereótipos e preconceitos. Autoconhecimento é fundamental, para que o coach se prepare para atuar em processos que requeiram competências interculturais. Um dos maiores limitantes para a interculturalidade é a perspectiva etnocêntrica. Coaches com facilidade para adotar uma perspectiva etnorelativista serão mais bem sucedidos em trabalhos interculturais.

Coaching intercultural pode ser visto como um nicho para atuação de alguns coaches, que possuem vivência com desafios interculturais, porém a abordagem não difere do coaching em geral. Sabemos que, para ser um bom coach, não é necessário conhecer os assuntos tratados por nossos clientes. Contudo, sabemos também que ter a mesma linguagem do cliente aproxima e facilita o rapport.

O evento terminou com uma reflexão sobre os dilemas relativos à interculturalidade vivenciados pelos coaches presentes. Neste momento, levantou-se a pergunta sobre como tratar opiniões de membros de uma cultura que são expressas como "verdade" em um grupo heterogêneo. Foi dado o exemplo de um grupo de refugiados atendidos, no qual há sírios, haitianos e outros. Quando participantes de um grupo como este expressam suas visões de mundo, podem ofender outros que possuem uma perspectiva diferente. Após reflexão, concluiu-se que o melhor seria estabelecer um contrato inicial com o grupo sobre como vamos tratar as nossas diferenças. Dizer abertamente que o grupo é heterogêneo, que visões de certo e errado podem variar, que nem sempre as opiniões serão um consenso e perguntar como o grupo propõe lidar com uma situação assim quando ela aparecer. Essa abordagem parece válida para todos os grupos, mesmo os que não sejam diversos culturalmente, pois os grupos sempre são diversos em algum sentido (em gênero, religião, orientação sexual, etnia, faixa etária etc). 

Outra questão que foi colocada pelos participantes seria o dilema de não ser nativo no idioma do cliente. Existe limitação em atender um cliente usando outro idioma, que não seja seu idioma nativo? Chegou-se à conclusão de que também este seria um tópico a ser incluído no contrato de coaching. Ao estabelecer a aliança com o cliente, mencionar o fato, discutir implicações e prever como lidar com elas. Alexandra nos lembrou, nesse momento, que o coach não precisa saber tudo e atuar em outro idioma pode inclusive ser um facilitador de perguntas que poderiam passar desapercebidas em um atendimento no idioma nativo, como, por exemplo, perguntar pelo significado de certas palavras.

A grande lição que podemos tirar desse encontro é que, como coaches, temos de investir em desenvolver o relativismo, compreender profundamente que não há uma única verdade ou uma única posição correta. A reflexão sobre a interculturalidade nos traz esse aprendizado, que pode ser expandido para outras áreas em que a diversidade se apresenta. 

 

 

 

 

 

 

Lido 339 vezes Última modificação em Quinta, 26 Abril 2018 11:36
Meiling Canizares

Meiling Canizares é Sócia Diretora da M'Canizares e possui 20 anos de experiência em desenvolvimento humano e organizacional. Ver perfil profissional.

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