Quarta, 25 Fevereiro 2015 00:00

Entrevista sobre Coaching com Meiling Canizares

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Nesta entrevista sobre coaching, são discutidos vários aspectos desta nova profissão, que se expande rapidamente, tais como: fatores que levaram a entrevistada a escolher a profissão de coach, coaching como carreira, diferentes nichos, aspectos técnicos da prática de coaching e dicas sobre como gerir este tipo de negócio. 

 

Entrevistadora: Ana Claudia Mazzini, estudante do Curso de Coach Certificado da ICA, atua em RH e como Coach, em Singapura. Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Entrevistada: Meiling Canizares, Coach nos nichos Executivo, Liderança e Carreira; Consultora Sênior para Desenvolvimento Humano e Organizacional; Sócia-Diretora da M’Canizares. Contato: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

Sobre o posicionamento como coach

AM: Por que você decidiu trabalhar com coaching?

MC: Eu escolhi o coaching como uma segunda profissão, complementar à minha atuação em desenvolvimento humano e organizacional. Eu me formei em Psicologia pela USP em 1994, atuei como psicóloga clínica por cerca de 7 anos no início de minha carreira e tenho 18 anos em RH. No início de minha carreira corporativa, eu mantive em paralelo a clínica por alguns anos, mas depois decidi me dedicar integralmente ao RH. Coaching foi a maneira que encontrei de unir dois de meus interesses: processos de desenvolvimento e sua aplicação nas organizações.

AM: Qual é o foco do seu trabalho em coaching neste momento?

MC: Trabalho com coaching executivo, de liderança e carreira. Alguns de meus clientes são executivos (Diretores e acima) e outros ocupam cargos de gerência e supervisão. No nicho de Coaching de Carreira, atuo em diferentes níveis profissionais, embora muitos de meus clientes ocupem cargos de gestão.

AM: Que teorias ou metodologias você usa em seu trabalho como coach?

MC: São tantas… Para citar algumas: Terapia Cognitivo-Comportamental, Teoria Integral e Logoterapia. Também gosto da obra de Robert Keagan, psicólogo do desenvolvimento adulto, e Ram Charan, com a teoria do Pipeline de Liderança.

AM: O que significa ser um coach para você?

MC: Significa ajudar pessoas a desenvolver autoconsciência e estimulá-las a descobrir novas perspectivas e possibilidades para que possam aplicar seu potencial, a serviço de sua autorrealização como seres humanos.

AM: Considerando o coaching como uma via de mão dupla, poderia compartilhar conosco um dos principais aprendizados que você teve com um cliente (coachee)?

MC: Aprendi muitas coisas com meus clientes, mas uma em particular é que o trabalho de coaching só vai funcionar se o cliente estiver realmente comprometido com o processo. Não importa o quanto o coach esteja comprometido, o sucesso depende também, em boa parte, da energia e coragem que o cliente investe em suas mudanças.

 

Sobre o coaching como carreira

AM: Como você vê o coaching como carreira no mercado atual?

MC: Eu trabalho no mercado brasileiro. É mais comum a contratação de coaches externos do que internos, nas empresas. Basicamente, a atuação dos coaches no Brasil está concentrada em ter seu próprio negócio ou atuar dentro de uma empresa de Consultoria (há algumas empresas de consultoria multinacionais já exigindo coaches certificados em seus quadros).

AM: Há alguns anos atrás, o coaching era majoritariamente aplicado em empresas e para executivos. Atualmente, a aplicação de coaching se expandiu para outras áreas como coaching para pais & mães, coaching de transformação, coaching de estilo de vida, etc. Considerando que o coaching cresceu muito ao longo dos últimos anos, o que você pensa a respeito do futuro dessa profissão?

MC: De um lado, penso que esta rápida expansão é positiva, mas por outro lado, também é delicada. O coaching está conquistando rapidamente espaço, mas é necessário tomar cuidado com a qualidade da formação profissional na área e a regulamentação da profissão. No Brasil, há muitos coaches que desconhecem a importância (e existência) de entidades que regulamentam a profissão, como a ICF (International Coach Federation), por exemplo. Há muitas pessoas que fazem cursos rápidos de coaching, de 2 dias, e consideram-se preparadas para atuar na área. Esta é a parte delicada de uma profissão que tem esse ritmo de expansão.

AM: Como uma pessoa pode saber se será um bom coach?

MC: Para ser um bom coach, deve-se ter um conjunto de competências, por exemplo, excelente habilidade de escuta, empatia, aptidão para criar confiança em uma relação com o cliente, saber fazer perguntas que estimulam a ampliação da consciência e capacidade de comunicação direta com o cliente (ser sucinto e preciso). Essas competências podem ser desenvolvidas e aprimoradas e estão listadas no website da ICF.

AM: Na sua opinião, qual a parte mais gratificante da profissão de coach?

MC: É sentir-se parte da jornada de aprendizagem e transformação do seu cliente, sentir que você teve um impacto positivo na vida dele.

 

Sobre a gestão do negócio de coaching

AM: Quais os principais aspectos que os novos coaches deveriam cuidar para construírem um negócio de sucesso?

MC: Se o coach não está familiarizado com conhecimentos de negócios, ele precisará do suporte de uma consultoria para desenvolver um plano de negócios. Também é importante ter ajuda de um webdesigner, um contador e um advogado.

AM: Quais são os principais passos na sua opinião, ao iniciar um negócio de coaching?

MC: O primeiro passo é construir o plano de negócios. Há associações que apoiam empreendedores e podem ser um suporte importante. Outro passo seria construir uma rede forte de relacionamento, que forneça apoio às suas iniciativas, possa lhe dar feedback e recomendações.

AM: Como um novo coach poderia estruturar e planejar seu auto-desenvolvimento?

MC: Há tantas opções para desenvolvimento de coaches, mas eu diria que uma delas seria obter as certificações da ICF e mantê-las, pois isso implica investir continuamente em desenvolvimento profissional, já que se exige um número de horas em treinamentos e congressos, para renovação das mesmas. Outra maneira é contratar um mentor de coaching, com mais experiência, que possa compartilhar conhecimentos e vivências com o novo coach.

AM: Qual é a melhor forma de um coach estar atualizado sobre novas práticas e técnicas?

MC: Podemos citar algumas formas: ler livros técnicos sobre coaching, participar dos congressos, webinars e conference calls organizados pela ICF e fazer novos cursos.

 

Sobre a prática de coaching e suas abordagens

AM: Você acredita que todos sejam aptos ao coaching?

MC: Não. Coaching é uma forma de propiciar o desenvolvimento para muitas pessoas, mas não acho que se aplica a todas as pessoas. Tampouco acredito que se aplique a todos os momentos da vida. A vida é dinâmica, assim, uma pessoa pode estar predisposta para o coaching em determinado momento, mas não em outro. Para ser beneficiado pelo coaching, você precisa estar aberto para a mudança e isso não é uma tarefa fácil, requer uma combinação de fatores que precisam coincidir no tempo.

AM: O que seria um cliente desafiador na sua opinião?

MC: O cliente desafiador é aquele que nos remete às nossas limitações e crenças como coach... Não há resposta certa a esta pergunta, e acredito que a resposta sempre revelará mais sobre o coach do que o coachee. Minha sugestão é observar e identificar que efeitos um cliente tem sobre você, como coach, e então trabalhar isso em você, ou, se não for possível, encaminhá-lo a um colega.

AM: Qual sua estratégia para ajudar um cliente que emperrou no processo?

MC: Uma causa possível para estar emperrado é uma crença limitante. Uma estratégia bastante útil é ajudar o cliente a identificar suas crenças (que sustentam seu comportamento) e desafiá-lo a mudar.

AM: Eu pessoalmente tendo a usar uma abordagem mais voltada para ação com meus clientes, ao mesmo tempo que tento observar suas emoções e expressões subjetivas para não ser superficial ou direta demais. Como você vê essas duas forças (razão e emoção) no processo de coaching?

MC: Penso que explorar significado, através de emoção e razão, é crucial no processo de coaching. Significado é a base da mentalidade operante e, às vezes, o modo como pensamos e sentimos ajuda ou atrapalha na realização de nossos objetivos. Assim, tão importante quanto ser orientado para ação, é procurar identificar a mentalidade subjacente. Mudanças adaptativas são uma combinação de duas dimensões: interna (perspectivas) e externa (comportamentos). Se você deseja mudar sua mentalidade, você precisa ter consciência dela e fazer pequenas alterações em seu comportamento. Mudando seus comportamentos e observando os resultados, você vai poder avaliar se faz sentido perseguir uma nova forma de ver as coisas. Mudança é um processo feito através de alterações na mentalidade e no comportamento, uma reforçando a outra, como um ciclo virtuoso.

AM: Que conselho você daria aos profissionais que estão iniciando como coaches?

MC: Conselho é algo que um coach evita dar… Mas eu recomendo levar o coaching a sério – é preciso honrar os clientes que escolhem você como facilitador em seu processo de mudança. É importante investir em desenvolvimento de suas competências como coach.

 

Para mais informações sobre o trabalho de Meiling Canizares:

http://mcanizares.com.br

https://www.facebook.com/mcanizarescoaching

https://www.linkedin.com/in/meilingcanizares/en

 

 

 

 

 

 

Lido 2503 vezes Última modificação em Quinta, 04 Fevereiro 2016 15:12
Meiling Canizares

Meiling Canizares é Sócia Diretora da M'Canizares e possui 20 anos de experiência em desenvolvimento humano e organizacional. Ver perfil profissional.

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